Raindrop: Pagan Poetry

Tag: 2011

Chuva

by on Oct.21, 2011, under Textos

A superfície escura do lago era perturbada pelas gotas que, incessantemente, caíam emudecidas pelo ruído das nuvens que gritavam com vozes graves disputando a madrugada. Folhas dançavam pelo ar, desgarradas dos galhos aos quais tentaram em vão se segurar, adiando serem cobertas pela terra molhada pela chuva.

Debaixo de uma árvore, sempre que o céu se iluminava, via-se um vulto diferente dos grandes e velhos troncos, encolhido contra a madeira que oferecia o mais próximo de abrigo contra as partículas gélidas de água que viajavam impulsionadas pelo vento. A garota, sentada com os braços em volta dos joelhos, olhava para a escuridão além do lago sem realmente focar sua atenção em nada.

Sabia que não estava sozinha e provavelmente teria visto o homem que se aproximara lentamente se tivesse olhado em sua volta. Entre uma trovoada e outra, no entanto, havia escutado seus passos.

“Não quero vê-lo”, disse ao sentir que o homem estava próximo. De fato ele estava ligeiramente atrás dela e abriu um guarda-chuva, estendendo sobre a moça. Não disse nada, e apenas segurou o objeto em um gesto que o vento tornou sem razão – a chuva, propelida pelo vento, apenas passava de lado pela frágil proteção.

“Você não precisa olhar para trás”. As palavras saíram da boca do homem quase inaudíveis em meio à tempestade. Tentou aproximar mais o guarda-chuva da moça, mas sentiu uma mão segurar a sua. Sem olhar para trás, ela impedia que se aproximasse mais. Suspirou e deixou o guarda-chuva no chão ao lado dela. Em seguida, aproximou novamente sua mão dos ombros da mulher.

“Não irei”. Ao falar isso ela novamente segurou a mão dele, impedindo que se aproximasse mais e sem jamais se virar. Sentiu mais determinação na ação do homem, e apertou com força a mão indesejada, que após hesitar por um momento se afastou. Ouviu passos se afastarem pisando na terra molhada e, relutante, virou-se o suficiente para pegar o guarda-chuva e notou que havia mais algo além dele.

Pegou um objeto pequeno, e olhou-o cuidadosamente. Uma pequena rosa, que havia sido esmagada quando apertou a mão do homem. Nesse momento virou-se para trás, vendo de relance os contornos dele, já distante, quando um raio cortou o céu. Fez menção de levantar-se, mas quando houve um outro clarão já não o viu mais.

E no dia seguinte a chuva havia lavado suas pegadas.

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Gotas

by on Oct.16, 2011, under Textos

Chovia, e andar sentindo os pingos no rosto o deixava bem. Não parecia estar chorando, e as gotas lhe faziam companhia.

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