Muitas vezes tento segurar meus “rants”, mas de vez enquando alguém consegue fazer algo fenomenalmente ruim. Tão ruim que você se sente culpado ao não apontar os erros daquela coisa para que desavisados não cometam o erro de se deixar levar pela aparência inofensiva. Exatamente agora me refiro à matéria “Qual é o melhor antivírus de 2009?” da INFO. Segundo a matéria o teste foi feito “jogando seis mil pragas num micro” (suponho que por 6 mil virus diferentes), e em seguida oferece um comentário sobre o desempenho dos ativirus. E é aí que começa o verdadeiro problema.
- “O Kaspersky Anti-Virus2009 foi o que obteve o melhor resultado, detectando mais de dez mil programas nocivos nos seis mil arquivos. A página de estatística é outro destaque do programa, com gráficos mostrando as ameaças em detalhes.”
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Se foram colocados 6 mil vírus diferentes (como o texto explicando como o teste foi feito dá a entender), como foram detectados 10 mil problemas? Podemos entender duas coisas: ou haviam arquivos infectados por mais de um tipo de virus (e espero que esse seja o caso) ou houve falsos positivos. E falsos postivos não tornam um antivirus melhor.
⠀ - Entre os pacotes gratuitos, quem leva a Escolha INFO é o AVG Free Edition 8.0, com sua nova interface que permite ver todos os recursos diretamente no menu principal. Ponto para a empresa tcheca, que conseguiu se livrar do visual antigo e pobre.
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Pergunta: Como você escolhe seu antivirus? Aquele que é mais bonitinho ou o que detecta mais virus?
Resposta: É óbvio que aquele que detecta mais virus. Certo?
ERRADO. A taxa de detecção do AVG nem sequer foi mencionada. Aparentemente ele não ter mais o visual pobre de antes é mais que o suficiente para relevar qualquer dado relativo a seu funcionamento.
⠀ - Uma boa surpresa em nossos testes foi perceber que o Norton 2009 ficou mais ágil e objetivo. A nova versão do software da Symantec ficou mais leve e também ganhou um belo upgrade na interface. Destaque também para a boa defesa dos usuários na web.
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Certo. Novamente a interface mais bela. E quanto à eficiência da detecção? Caso alguém tenha alguma dúvida: o objetivo do antivirus é… detectar virus! Para enfeitar nosso desktop temos nossos papéis de parede. E applets. E o compiz.
⠀ - Um dos mais completos antivírus continua sendo o McAfee VirusScan. O firewall e o bloqueio a sites perigosos funcionam muito bem, e a taxa de detecção do programa é das mais altas: ele desalojou mais de 9 mil executáveis maliciosos.
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Supondo que existam agora 10 mil, e não mais 6 mil, virus isso significa que ele ficou abaixo do Kaspersky, no mínimo. E não fazemos idéia de como ele se compara aos anteriores. Pelo menos sabemos que o firewall funciona, mesmo não sendo esse o foco da comparação.
⠀ - Agora, se a intenção for apostar num software simples e gratuito, que dá mais importância para a leveza, pode ser uma boa experimentar o Avira AntiVir Personal. Ele tem interface espartana, mas identificou 100% das ameaças jogadas no micro.
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É claro que ele não é o melhor, pois apesar de ter identificado 100% das ameaças (em outras palavras, tendo desempenho superior ou ao menos igual ao do Kaspersky que foi eleito como O antivirus) ele tem uma interface espartana. E é leve. Obviamente para ser o melhor ele não precisava de uma detecção tão alta, só precisava ser mais bonito. Como não perceberam isso?
⠀ - Por fim, testamos também o NOD32, desenvolvido pela ESET, um antivírus que se destacou pela velocidade na varredura. Ele demorou apenas 29,5 minutos para correr atrás das pragas num sistema com apenas o Windows Vista instalado.
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Sim, claro! Destaque para a velocidade, novamente sem levar em consideração quantas “pragas” foram detectadas. E, falando em velocidade, não vi nenhuma menção a quanto tempo os outros levaram.
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E por fim… esse é o fim. Termina assim, depois de falar bem de todos os antivirus testados, elogiando seus pontos altos (alguns deles bem duvidosos) e mostrando uma tabela comparativa sem mostrar uma comparação entre eles ou sequer dar notas. Não sabemos quantos virus cada um detectou (apesar de sabermos que o Avira detectou 100% deles). Não sabemos nem sequer quantos virus haviam ao certo.
Entendo que a matéria tem como público-alvo uma platéia composta grande parte por leigos, mas creio que isso torna ainda mais importante que cada solução seja analisada cuidadosamente. O que eu vi foi um festival do tipo “sorria e acene pois todos são bons produtos” e não uma matéria séria que vai servir como guia para os leitores – que é justamente o que eles procuram. Os leigos, lendo uma matéria de uma revista “conceituada” em informática, vão acreditar que aquilo é o certo.
E, sinceramente… nada ali está certo.
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E eu tendo minhas sérias dúvidas se o Avira ainda estava no topo das detecções… Realmente, já descobri algumas “limitações” terríveis do Avira Personal, mas felizmente ele faz o que eu quero: detectar (e limpar, quando possível) vírus. AVG no topo de alguma coisa, só se for no visual mesmo hahahahaha
Nem citaram mais o nome do Avast? O que aconteceu?